A T. me fez uma pergunta por email, que eu respondo abaixo.
"Acompanho seu blog há algum tempo e aprecio muito seus textos. Parabéns mesmo pelas postagens. Não me considero feminista, mas seus textos são universais. E agora que já fiz a média vou fazer o pedido.
Gostaria de pedir um post sobre o vício cada vez maior das pessoas por sexo, a dependência que a sociedade está criando em relação a ele, e como uma coisa que era para ser boa e prazerosa virou uma obrigação. Já li textos seus sobre dúvidas de outras pessoas e foram sempre sensatos e certeiros, então talvez você possa me fazer enxergar um novo ângulo da coisa.
Tenho 22 anos e sou o tipo de pessoa introspectiva, note bem que eu disse introspectiva, não tímida. Apesar de ter bons relacionamentos com as pessoas em geral, quando se trata de relacionamentos amorosos não consigo e não quero partir para uma coisa mais íntima logo de cara, e o resultado disso é que nunca me relacionei.
Uma vez em um dos meus empregos, quando eu tinha entre 19 ou 20 anos, num papo qualquer, meu chefe perguntou algo sobre meus ex-namorados e um amigo, que sabe sobre minha “movimentada” vida afetiva, olhou para ele e disse: ex-namorados? Então meu chefe começou a rir e soltou a pérola: Sim, ou você quer me convencer que nessa idade ela só teve um? Lembro-me de ter começado a rir e pensado que é meio estúpido como as experiências são agora avaliadas não mais pela importância, mas sim pela quantidade, e que as pessoas estão se transformando em relógios gigantes em que tudo tem tempo e data marcada.
Sou muito anormal ou isso é mesmo doentio? O pior é quando descobrem sobre esse “segredo terrível”, como se experiência sexual fizesse parte do seu currículo social. É deprimente a forma como a sociedade olha, como se eu fosse infantil, estranha, anormal, retrógrada ou manipulada por alguma religião. Não é ridículo eu ter que brigar pelo direito de não fazer sexo? É tão estranho assim considerar um relacionamento saudável quando ele se constrói através do conhecimento do parceiro, da amizade e do afeto ao invés da pura e simples atração?
Não se trata de um comportamento assexuado, não estou menosprezando o poder do sexo, entendo e aprecio sua importância, mas tenho a impressão de que cada vez mais os relacionamentos entre as pessoas estão girando quase que exclusivamente em torno dele.
E então, Lola, o que faço? Trepo com qualquer um e tento me normalizar abrindo mão da minha liberdade sexual e tornando possível que alguém se interesse o suficiente para me conhecer? Ou mando todo mundo tomar no ** e sigo sozinha? (Desculpa o palavreado elevado...) Gostaria de deixar claro que não tenho nenhum problema de autoestima e nem com minha aparência, adoooro meu corpo, apesar de brigar com ele de vez em quando.
Sou ateia, ou seja, meu comportamento não é um condicionamento religioso, e por último não acredito em amor perfeito e exatamente daí vem minha frustração, as pessoas falam de realismo nos relacionamentos, mas não têm paciência para construir um a não ser que seja tudo rápido e prático. Talvez eu é que seja estranha por funcionar em uma marcha lenta bizarra, mas é pedir demais querer conhecer a pessoa antes de enfiar a minha língua nela? Essa última frase tem vários sentidos e acho que quero dizê-la em todos eles... O engraçado é que nesse ponto os homens sofrem mais, afinal mulher virgem no máximo é baranga ou dependendo do caso um fetiche (não sei o que é pior), mas homem virgem é incapaz, bicha, fraco, não gosta de mulher. A cobrança é muito pior para eles (culpa da sociedade machista?).
Acredito que, desde que não interfira no direito de outrem, as pessoas devem fazer o que se sentem bem fazendo e serem livres para isso. Não tenho absolutamente nenhum problema com quem consegue viver tranquilamente nesse padrão “físico”, não estou dizendo que ele é errado e nem o menosprezando, até porque NINGUÉM é dono da verdade, mas que eu sofro por não me adequar a ele eu sofro, e muito..."
Gostaria de pedir um post sobre o vício cada vez maior das pessoas por sexo, a dependência que a sociedade está criando em relação a ele, e como uma coisa que era para ser boa e prazerosa virou uma obrigação. Já li textos seus sobre dúvidas de outras pessoas e foram sempre sensatos e certeiros, então talvez você possa me fazer enxergar um novo ângulo da coisa.
Tenho 22 anos e sou o tipo de pessoa introspectiva, note bem que eu disse introspectiva, não tímida. Apesar de ter bons relacionamentos com as pessoas em geral, quando se trata de relacionamentos amorosos não consigo e não quero partir para uma coisa mais íntima logo de cara, e o resultado disso é que nunca me relacionei.
Uma vez em um dos meus empregos, quando eu tinha entre 19 ou 20 anos, num papo qualquer, meu chefe perguntou algo sobre meus ex-namorados e um amigo, que sabe sobre minha “movimentada” vida afetiva, olhou para ele e disse: ex-namorados? Então meu chefe começou a rir e soltou a pérola: Sim, ou você quer me convencer que nessa idade ela só teve um? Lembro-me de ter começado a rir e pensado que é meio estúpido como as experiências são agora avaliadas não mais pela importância, mas sim pela quantidade, e que as pessoas estão se transformando em relógios gigantes em que tudo tem tempo e data marcada.
Sou muito anormal ou isso é mesmo doentio? O pior é quando descobrem sobre esse “segredo terrível”, como se experiência sexual fizesse parte do seu currículo social. É deprimente a forma como a sociedade olha, como se eu fosse infantil, estranha, anormal, retrógrada ou manipulada por alguma religião. Não é ridículo eu ter que brigar pelo direito de não fazer sexo? É tão estranho assim considerar um relacionamento saudável quando ele se constrói através do conhecimento do parceiro, da amizade e do afeto ao invés da pura e simples atração?
Não se trata de um comportamento assexuado, não estou menosprezando o poder do sexo, entendo e aprecio sua importância, mas tenho a impressão de que cada vez mais os relacionamentos entre as pessoas estão girando quase que exclusivamente em torno dele. E então, Lola, o que faço? Trepo com qualquer um e tento me normalizar abrindo mão da minha liberdade sexual e tornando possível que alguém se interesse o suficiente para me conhecer? Ou mando todo mundo tomar no ** e sigo sozinha? (Desculpa o palavreado elevado...) Gostaria de deixar claro que não tenho nenhum problema de autoestima e nem com minha aparência, adoooro meu corpo, apesar de brigar com ele de vez em quando.
Sou ateia, ou seja, meu comportamento não é um condicionamento religioso, e por último não acredito em amor perfeito e exatamente daí vem minha frustração, as pessoas falam de realismo nos relacionamentos, mas não têm paciência para construir um a não ser que seja tudo rápido e prático. Talvez eu é que seja estranha por funcionar em uma marcha lenta bizarra, mas é pedir demais querer conhecer a pessoa antes de enfiar a minha língua nela? Essa última frase tem vários sentidos e acho que quero dizê-la em todos eles... O engraçado é que nesse ponto os homens sofrem mais, afinal mulher virgem no máximo é baranga ou dependendo do caso um fetiche (não sei o que é pior), mas homem virgem é incapaz, bicha, fraco, não gosta de mulher. A cobrança é muito pior para eles (culpa da sociedade machista?).
Acredito que, desde que não interfira no direito de outrem, as pessoas devem fazer o que se sentem bem fazendo e serem livres para isso. Não tenho absolutamente nenhum problema com quem consegue viver tranquilamente nesse padrão “físico”, não estou dizendo que ele é errado e nem o menosprezando, até porque NINGUÉM é dono da verdade, mas que eu sofro por não me adequar a ele eu sofro, e muito..."
Do blog "Escreva Lola, Escreva"





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