Antes de mais nada, é preciso levar um ponto em consideração: essa profusão de rótulos constrangedores como “metrossexual”, “neossexual”, “pornossexual”, “toscossexual” e quetais obedece primordialmente a uma ânsia de classificação da mídia de moda e comportamento, e é de se duvidar que a maioria das pessoas espertas e dotadas de suas plenas faculdades mentais leve isso minimamente a sério. Ainda assim, os rótulos continuam aparecendo, um mais tosco do que o outro, diferenciando-se em filigranas que são mais difíceis de diferenciar para quem não está absolutamente interessado do que o que torna distinto o “lounge” do “ambient” – ou o thrash metal do speed metal, para que não digam que estou pegando no pé dos moderninhos.
O mundo de hoje é rápido e publicitário. Internautas sem-noção respondem com obscenidades no YouTube quando os vídeos dos quais não gostaram os fazem perder “30 preciosos segundos de vida” – que se tivessem sido economizados provavelmente seriam usados para continuar procurando pornografia na internet. Num mundo em que tudo virou comercial, o espaço publicitário para se vender um produto valorizado é cada vez mais restrito: uma conversa de cinco minutos no primeiro encontro, uma entrevista de 10 perguntas na seleção de emprego, uma primeira impressão de três segundos formada por aparência e vestuário.
O que nos leva ao “sexual” que sempre termina qualquer um desses rótulos ridículos. O sexo é o produto de maior demanda e oferta no mundo contemporâneo. Tá certo que sempre ocupou o centro das preocupações, mas agora sua disponibilidade o torna um bem de consumo tão essencial quanto a luz elétrica – e que, como a luz elétrica, um bem que torna a vida bem mais difícil quando NÃO se tem.
Logo, sexo é um produto dos mais populares. Junte a isso a cultura recente pós-revolução feminina segundo o “Homem Ideal” deve ajustar-se aos desejos femininos (não deixa de ser estranho que uma reivindicação tornada possível devido à liberação feminina do século 20 ainda procure um homem idealizado de contos europeus do século 17). Mas as mulheres, e isso elas próprias admitem, sabem muito melhor o que não querem do que o que querem. Daí essa tentativa de sistematização de uma fórmula: o homem do século 21 é o neossexual, o metrossexual, o ônibussexual. Algum dia ainda vamos ouvir que as mulheres interessadas em homens estão é a fim mesmo do bom e velho heterossexual.
CARLOS ANDRÉ MOREIRA
sábado, 28 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Morre Lentamente
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca.
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar!
Martha Medeiros
quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca.
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar!
Martha Medeiros
sábado, 14 de fevereiro de 2009
FIZERAM A GENTE ACREDITAR!
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer,só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso o que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.
Martha Medeiros
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso o que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.
Martha Medeiros
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