sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Brasileiro não gosta de esporte, gosta é de ganhar.


Às vezes, parece que odeio nosso povo, mas acontece que só posso falar mal daquilo que realmente conheço. Não sei como se comportam os mexicanos, finlandeses ou mesmo os simpáticos nativos da Birmânia (atual Mianmar).
Por isso, peço desculpas aos nacionalistas mais exacerbados, mas só me resta descer o sarrafo nos brasileiros.
Nosso povo, aparentemente, é amante dos esportes. Ora, ora! Conversa das mais fiadas! Gostamos, é claro, de futebol. Mas gostamos porque ganhamos. E só por isso. É uma monocultura esportiva.
Hoje, de tanto que o praticamos, já é algo mais ou menos genético. Não tem mais como não gostar. E a origem disso, podem apostar!, está no fato de que nos tornamos vencedores nessa modalidade - e ela não somente superou, mas também dominou e aniquilou qualquer outra.
Sempre que algum atleta ou alguma equipe brasileira se destacam numa modalidade, o povo "subitamente" passa a gostar desse esporte. Foi assim com o vôlei (desde o ouro de 1992), com o judô (ouro do Aurélio Miguel), tênis (títulos do Guga) etc.
Depois de um tempo, a moda passa, e o povo chega ao ponto de PERDER O GOSTO pela modalidade. Principalmente quando algum representante brazuca deixa de estar entre os vitoriosos. Cadê as transmissões dos campeonatos de tênis, por exemplo? Sumiram todas!
A Fórmula 1 também serve de exemplo. Enquanto tínhamos Piquet e Senna vencendo, muitos acompanhavam (Aliás, acompanhavam o cacete! Apenas viam a largada e a chegada!). Depois da aposentadoria do primeiro e do falecimento do segundo, a audiência caiu.
Porque, para o brasileiro, pouco importa a graça do esporte. O que importa é ganhar. Sem um brazuca vencendo numa modalidade, o povo a despreza. Mas basta surgir um vencedor que passam a transmitir em tudo que é canal, a turma se interessa etc.
E o brasileiro não se contenta em ser apenas um camarada que gosta de vencer. Ele é, ainda por cima, extremamente vingativo e mal-agradecido. Vejam o que fizeram e fazem com o Guga! O cara é um puta vencedor, mas se tornou objeto de escárnio depois que parou de ganhar. Simples assim.
A rapaziada cobra, na cara-dura, como se o Guga tivesse dívidas com alguém. Todos já ouvimos frases do tipo "ah, esse Guga não ganha mais nada!", de alguém se queixando como se fosse credor do tenista. Risível.
Os fatos estão aí. Brasileiro não gosta de esporte. Gosta é de ganhar, apenas disso. E gosta de futebol porque prevalece nestas plagas a monocultura esportiva.
Se amanhã surgir um grande campeão de pelota basca, a meninada vai se animar e o esporte será difundido por todo o país. Em um ano (no máximo!), se não houver mais alguma vitória, será praticamente esquecido.
É assim que funciona.

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